sexta-feira, 1 de maio de 2015

A VERDADE

Santo Agostinho



A verdade está no interior do homem. “Não queiras sair para fora; é no interior do homem que habita a verdade”. E há verdades constantes, inalteráveis, para sempre. Dois mais dois serão sempre quatro. Santo Agostinho tenta esclarecer de onde pode vir essa verdade. Não das sensações, diz, porque essas são e não são, são mutáveis, efêmeras. Tampouco do espírito humano, que, por profundo que seja, é limitado. Essas verdades eternas só podem ter por autor Aquele que é eterno: Deus. São reflexos da verdade eterna, que nos ilumina e nos permite ver. Nisso consiste o que depois ficou conhecido como “doutrina da iluminação”; porém, desde já é preciso dizer que Santo Agostinho não a apresenta nunca como uma “teoria”, mas como uma comprovação. Já no final da sua vida, diz nas Retractationes que o homem tem em si, enquanto é capaz, “a luz da razão eterna, na qual vê as verdades imutáveis”.

Santo Agostinho



Nietzsche


Verdade é uma mentira bem contada em rebanho; o que por convenção é aceito por uma ampla maioria é tido como verdade. Neste sentido, dizer a verdade é mentir com perfeição em público. Em Nietzsche toda palavra é metáfora: a) um estímulo nervoso em forma de imagem, primeira metáfora; b) a imagem transposta em um som, segunda metáfora. A partir dessas metáforas em seus múltiplos significados temos as palavras: Das palavras surgem os conceitos: o homem está enredado numa trama ficcional inesgotável. A mentira também é outro peso primordial do homem em rebanho. Mentira é uma verdade, verdade de que tal coisa não é verdadeira - é mentira. Verdades e mentiras são ilusões como todas as coisas demarcadas na linguagem.

Proposta: É para além da verdade e da mentira que temos de caminhar. Temos de parar de, como lobos famintos, querer se alimentar de verdades e mentiras, de bem e mal, bom e ruim… e aprender a trafegar para além, novos caminhos.

Crítica aos que pressupõem que a verdade não derivaria do mundo sensível pois é enganador e fugaz. Deveria possuir origem própria, única, absoluta, inquestionável, diretamente de algum ponto último que lhe servisse de fundamento, algo como uma coisa em sim, um deus oculto, o seio do ser (origem miraculosa) – isto é crença e não conhecimento - Metafísica.




Propõe a pesquisa histórica como forma de deslocar a relação entre a verdade e a moral. Estas não seriam mais algo a ser encontrado em outro patamar transcendente às experiências, mas seria fruto da atividade criadora do homem – pertenceriam à História. Assim, a verdade não seria uma coisa que está lá a encontrar e descobrir e sim algo que está por criar e que dá o nome de processo. A vontade de verdade decorre da vontade de engano. A vontade de engano seria a necessidade de se alçar um determinado valor à categoria de verdade para fazê-lo mais forte e mais poderoso a fim de que se possa acreditar nele. Com foi criado historicamente é um engano tê-lo por verdade. Se a verdade é criada, então é uma espécie de erro mais aceito pela moral, por ser um erro necessário. Devemos enganarmo-nos sobre a existência da verdade, pois acreditar e valorizar a verdade talvez seja necessário para a preservação da espécie humana. A verdade seria uma representação valorativa e nada mais do que uma vontade de verdade com função reguladora da sociedade.


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